sábado, 2 de janeiro de 2016

[RESENHA] Eu Sou a Lenda - Richard Matheson


      Inicialmente, eu havia me interessado pela leitura de Eu Sou a Lenda devido a minha paixão pelo filme de mesmo nome, lançado em 2007 e estrelado por Will Smith. Entretanto, logo no início da leitura eu compreendi que me deparava com uma história completamente diferente, mas ao final da mesma, eu me surpreendi com o quanto eu gostei do livro, apesar de meus preconceitos iniciais. 
      Eu Sou a Lenda se passa em Los Angeles, no ano de 1976, apesar de o livro ter sido escrito em 1954. Ele acompanha a jornada de Robert Neville, possivelmente o último homem na face da Terra a ter sobrevivido ao apocalipse vampiro (graças a sua inicialmente inexplicável imunidade), responsável pela morte de sua mulher e filha. No início da história nós nos deparamos com um personagem em "estado automático": ele apenas tenta sobreviver a um dia de cada vez, transformando sua casa em uma barricada, matando vampiros durante o dia (quando os mesmos entram em uma espécie de coma) e voltando para sua casa durante a noite, para se entregar à bebida e ao cigarro.
"O mundo ficou louco, pensou. Os mortos andam por aí e eu acho isso normal."  

       O começo me incomodou um pouco no que diz respeito a certos "clichês": Robert narra o medo dos vampiros da cruz, a intolerância ao alho e a morte fácil se utilizada estacas feitas de madeira fincadas no coração. Beleza. É então que acontece um dos clímax da história (sem spoilers, isso é no início do livro), quando Robert é atacado por uma orla de vampiros em frente a sua casa (eles sempre ficam no jardim de sua casa durante a noite) e quase é morto. Ele então percebe que não conservará sua sanidade se continuar a viver daquela forma... Por isso ele inicia um trabalho de pesquisa, para entender a causa daquilo tudo e explicar o motivo desses "clichês" terem se mostrado reais, a fim de utilizar disso para sua proteção. 
      É aí que eu bato palmas para o Richard Matheson, que me fez engolir meus preconceitos. Como se trata de um livro de ficção científica, a base para os acontecimentos sobrenaturais precisam ter bases científicas, certo? E Robert consegue, ao longo de anos de estudo, compreender as causas para a desumanização da humanidade e explicar de maneira muito convincente porque determinadas coisas afetam os vampiros e porque outras não. Isso, porém, não se deu de maneira simples. Não são poucas as vezes que Robert se sente verdadeiramente frustrado, tanto por não conseguir encaixar suas descobertas a fim de que tudo faça sentindo, quanto por não se sentir capaz de fazer tal coisa. 
       O livro, acima de tudo, nos lança de forma aterradora na mente desse personagem, que tem seus picos de raiva, frustração, desespero, medo, saudade, cansaço e, principalmente, solidão. Através de flashbacks, nós somos apresentados a esposa e filha de Robert, que representam uma parte do passado dele que lhe causam profunda dor. Tudo isso culmina em um ponto importante da história, quando ele vê, pela primeira vez em muito tempo, outro ser vivo à luz do dia: um cachorro. É nesse ponto da história que nós entendemos verdadeiramente, o quanto a solidão e o fato de ser privado de amar e ser amado por outras pessoas, pelo simples, porém brutal fato de as mesmas não existirem, podem afetar o ser humano.
"Ele tinha uma ânsia tão terrível de amar novamente alguma coisa (...)" 
     O final do livro é surpreendente! E quando você finalmente entende o título do livro, você se dá conta do porquê o mesmo é aclamado até hoje como um clássico do horror e da ficção científica. Robert Matheson, assim como seu livro e seu tão bem construído personagem, se torna uma lenda na literatura mundial. 
  

Informações Técnicas      

Título: Eu Sou a Lenda
Escritor: Richard Matheson
Editora: Aleph (2015)
Páginas: 382
Tipo de Capa: Dura
Primeira Publicação: 1954
Classificação:  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

    


 

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